segunda-feira, 21 de abril de 2008

Constatações sobre a vida, o universo e tudo mais sob o prisma da Casa 22

Fique certo de que até os 22 anos, você terá pelo menos uma doença que os médicos não saberão diagnosticar logo de cara. E você perderá a paciência de fazer exames, curando-se pela graça do tempo.


Os preços de fato sobem descaradamente. Os mesmos 400g de leite em pó que hoje custam quase 10 reais, já foram comprados por menos de três pilas, nos tempos em que você mamava nas sagradas tetas da senhora sua mãe.


Você deixa de crescer e passa a somente engordar. Decididamente essa é uma das verdades mais dolorosas da Casa 22. Ora, é algo claro: se você só come e muito pouco se exercita, a tendência é aparentar ser um presuntinho pós-moderno.


Na Casa 22, o amor romântico tão em voga na adolescência, perde consideravelmente seu brilho. Provavelmente esse brilho regressa em casas vindouras, com o desespero “papai, eu quero me casar”. Mas essa discussão não cabe aqui, já que o oba-oba da Casa 22 é o sexo sem preconceito, sigilo total, por um relacionamento íntimo e discreto.


A idéia de que você-não-aproveita-bem-sua-juventude perpassa quiçá toda a Casa dos 20 anos. É justamente esse o impulso que leva os jovens a cometerem excessos. Como o porre que lhe pagou o vômito na saia da namorada. Digo, parceira sexual.


Você não se livra dos estudos na Casa 22. E dificilmente se livra dos estudos na Grande Casa 20. Já que a tendência da trepidante modernidade é o acúmulo indiscriminado de especializações. No que pese a graduação – hoje quase insuficiente – a pós-graduação, os mestrados, os doutorados e mais uma gama de novas escalas que devem ser exigidas nos próximos anos. Certo, dependendo da carreira que você tenha decidido seguir, você jamais se livrará dos estudos. Ânimo!


Independente de que caminhos você percorra, a vida há de lhe mostrar que existe uma entidade superiora que rege os dias dos humanos aqui neste plano terreno: Dinheiro.


Embora você pondere que seu modo de ver o mundo é aceitável diante dos moldes da idade, em menos de 10 anos você perceberá o quanto foi imaturo ao concluir que os Mamonas Assassinas representaram uma perda incalculável ao cenário cultural brasileiro. Na Casa 22 a auto-censura dos anos pregressos é bem marcante.


Você há de querer ver muitos filmes, ler muitos livros e conhecer muitos lugares. Mas é mister que se tenha consciência de que não há tempo e nem dinheiro para tanto. Na Casa 22 você percebe a necessidade de se fazer escolhas e conclui estupidamente que o dicionário é a prova dos bilhões de palavras que você nunca vai usar.


Na Casa 22 você já se coroe de medo das rugas e reumatismos que a vida lhe reserva nas casas que virão. Das bobagens todas, essa é a maior.

quarta-feira, 5 de março de 2008

O Dia em que [quase] fui Pisoteado por uma Vaca

Vacas, carneirinhos, gatos, muitos gatos, cachorros e mais algumas vacas.

Fazendinha Feliz do Ronald McDonalds? Não, ledo engano. Trata-se do cenário do campus universitário onde estudo. Lá se pode observar todo um arsenal de animaizinhos ruminando e entravando os caminhos de carros e pedestres.

Dizem que é por culpa do curso de Veterinária, que espalha suas crias pelo Campus. E é até bonitinho ver a relva pontilhada de bufalóides mal encarados, mas o fato é que depois de um dia desumano de estudos, me deparei com a figura de várias vaquinhas perto da Reitoria, e eu precisava passar por lá se quisesse voltar pra casa. Ocorre que uma delas, que tinha cara de vaca holandesa, protegia desesperadamente seu bezerrinho e me viu como uma tremenda ameaça. Ora, imagine... Ela me fitou como se dissesse “Ei, cara-pálida! Tira o olho do meu bezerrinho ou você vai se entender com meus chifres”. E eu fiz um grande esforço pra parecer estar dizendo “O que diabos eu iria querer com esse seu bezerro de merda E de merda? Vaca-louca, você...”.

Quando a danada veio em minha direção a plenos vapores, eu imaginei todo o escarcéu que haveria de acontecer. No dia seguinte, as manchetes no Jornal Pequeno “Estudante Universitário Morre Pisoteado por uma Vaca”. Ou “Vaca-Louca Agride Mortalmente Estudante Universitário”.

Mais embaixo, os depoimentos dos meus amigos consternados “Era um amigo incomparável, nunca ameaçou nenhuma vaca aqui do Campus”; “Nossa, não tinha vícios, sempre passou longe dos búfalos e respeitava as vaquinhas contritamente”.

Talvez tenha sido esse momento de distração que estranhamente fez a vaca perceber que eu era lesado o suficiente e não valia uma pisadela sequer.

Agora eu aproveito pra deixar o clamor aos meus amigos: Gente, se eu morrer qualquer dia desses, por vacacídio ou o que quer que seja, favor não criar aqueles detestáveis profiles ‘dead people’ no orkut, ta? Isso é mais tenebroso que morrer pisoteado por mimosas universitárias.

E o fato de eu ter sobrevivido a esse pitoresco episódio, denuncia que eu devo continuar por aqui pensando novas postagens! Fatídicamente, o maior perigo que se enfrenta no Campus não são vacas superprotetoras, e sim o ritmo frenético do curso de História. Mas volto, sim. Abração a todos.

Vaquinha Universitária muito-pouco-amistosa

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Eu Sou o Rei do Mundo [MEME]

Há 10 anos, um não tão conhecido James Cameron lançava seu novo longa – que precisava dar retorno aos 200 milhões de dólares investidos. Era TITANIC, a história de amor com papel de parede trágico que seria o filme de maior bilheteria de todos os tempos da última semana.

Enquanto Kate Winslet e Leonardo diCaprio contraiam pneumonia nos sets alagados do filme, trocentos milhões de humanos se dirigiam às salas de cinema para debulhar-se em lágrimas crocodilianas. E o próprio autor deste cognominado UDN, enfrentou filas infindas para acompanhar o drama de Jack e Rose e não se arrependeu nem um teço.

Tudo porque o tal TITANIC é danado de bom de se ver. Mesmo com seus 194 minutos de duração, sua cascata de clichês, seus deslizes de edição e o fato de ser mais popular que o cruzamento de Beatles com quidim de padaria.

E sim, há quem não goste por ser muito hominho e preferir ver os músculos do Vin Diesel ou por ser sabidinho demais a ponto de trocar a vida pelas tramas de Almodóvar.

Mas toda rispidez será perdoada, já que esse nem é o ponto de TITANIC: James Cameron usou em seu filme uma receita impecável de cinema-entretenimento-bilheteria-pipoca e comprovadamente deu muito certo. Afinal, com o 1 bilhão e 800 milhões de faturamento só em bilheterias o Sr. Cameron deve estar a limpar sua nádegas mesmo uma década depois.

Não durma, James! Não durma!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A Primeira Embriaguez de um Homem

Duas garrafas de vinho e sobras da noite de Natal. Esses podem ser brinquedinhos interessantes se você estiver sozinho em casa em pleno dia 25 de dezembro. Depois de usar técnicas primitivas para remover a rolha de uma garrafa, sem para tanto utilizar um saca-rolha, [lavando a casa inteira e a si mesmo com vinho] o acalento mais gracioso pode ser papos internéticos regados a Rufus Wainwright em altíssimo volume.

Diz-se que antes do estado de embriaguez total, o sujeito ainda passa por alguns instantes de uma tontura deliciosa, mas ainda consegue se passar por sóbrio sem grandes esforços. Esse estágio parece ter sido extirpado do processo embriagativo (!) de nosso protagonista. Sim, ficou bebaça sem se dar conta.

O fato é que de dois em dois dedinhos de vinho branco, nem dá pra precisar a que nível de tontagem a pessoa se encontra. Era algo como “Ainda não tô bêbado... Vai mais dois dedinhos...”. Não que o serumano quisesse mesmo ficar bêbado. É justamente o inverso: por não querer se embebedar, ficava medindo o nível de álcool que ainda poderia ser ingerido.

Quando deu por si estava completamente ‘grog’ e não pôde evitar um surto gargalhístico incontrolável. Ria da voz engraçada que nunca havia saído de sua boca, ria da situação de estar bêbado e da ironia de se estar sozinho mesmo tendo uma multidão de amigos. E ria do ímpeto quase incontrolável de ir buscar só mais miseráveis dois dedinhos da bebida. Ria ainda da iminência dos pais chegarem em casa e se depararem com o filhote parecendo com o Leonardo di Caprio em Basketball Diaries.

Ele captou tudo isso como um dado pra vida “eu sei como é estar bêbado”, mas não chegou a entender como alguns humanos utilizavam isso como fuga da realidade e faziam desse momento um rito semanal. Afinal, o estado de embriaguez é passageiro. (E nesse ínterim lhe ocorreu um trocadilho maldito: “Ainda bem que é passageiro. Não poderia ser motorista, visto que quem bebe não dirige” – mas completamente desnecessário!).

Depois de voltar ao estado normal ele lamentou por ter tirado uma conclusão tão babaca de sua primeira embriaguez: A ilusão mora nas garrafas de vinho branco.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Rápidos Conselhos do Dr. Coelhotte

Vai ver devia ser proibido isso de levar a vida ao pé da letra. Todo ser humano deveria vir equipado com um sensor que detectasse níveis elevados de stress e disparasse freneticamente “Ei cabeçudo! Não ligue pro que esse mané disse”.

Sim, Paviocurtismo é uma doença asquerosa. Mas isso nem quer dizer que devamos estar condenados ao Bundamolismo. Vez por outra temos sim que desferir algumas bordoadas no infeliz que afanou nossa incauta namorada numa festa.

Mas levar em consideração tudo o que dizem a nosso respeito é sintoma de Burrismo. Se dizem que tu és malacabado ou que não assumes teus atos, analise primeiro a proveniência do comentário. É que alguns humanos sofrem de Palpiteirite Aguda e tem necessidade berrante de falar, ainda que sejam barbáries dessa espécie. Só mesmo quem já conquistou certa credibilidade a teu lado é que merece a atenção sincera de teus ouvidos.

Não te esqueças de que devem existir no mínimo três pessoas ao redor do globo que conseguem nos tirar do sério com uma facilidade mastodôntica. Basta que o cidadão pisque ou respire um pouquinho que já nos sobe uma fúria godzílica e um ímpeto nefasto de esganar o indivíduo até a morte por asfixia. O conselho: ignore 80% do que esse ser proferir. Pentelhitte Crônica não em cura.

Você Juvenal, você Dagoberta, você Artemízia é que sabem o que se passa em vossas respectivas cabeças. A opinião de Franciscleidson ou de Jenolino na maioria dos casos são sintomas da Invencionice Visceral e precisam ser ignorados.

Levemos pois a vida com parcimônia para que não nos tornemos vítimas da Stressionismo Precoce Grave (que causa calvice, impotência sequiçual, além de encurtamento instantâneo do pinto).

"Eu sei como é isso"

domingo, 25 de novembro de 2007

Aviso aos Navegantes

Brasileiros, novidade batuta pra vocês.

Eu fui carinhosamente obrigado a fazer parte de um outro blog, o Talicoisa.

Os textos lá apresentados falam sobre tudo. O diferencial é que a equipe do referido blog é composta por brasileiros espalhados em diversos estados da nação. E como são sete criaturas, tem postagem todo santo dia!

Ou seja, lá você vai encontrar textos gaúchos, potiguares, paranaenses, baianos, paulistas e naturalmente, textos maranhenses assinados por este que vos fala.

Quarta-feira é dia de pagar mais barato no cinema e também é dia de Dave Coelho no Talicoisa - o blog que virou Brasil!

E a nova do UDN ta na agulha. Aguardeemmmmm e boa diversão.


sábado, 17 de novembro de 2007

Cúmulo Paratodos

Nem mesmo as criaturas mais ricas do planeta estão completamente livres de se sujeitar aos sintomas de pobreza tão largamente enumerados na blogosfera. No entando, existem alguns cúmulos que poderiam ser evitados, não fosse a necessidade vital de cometê-los.

Vejamos.

  • Precisar de ônibus para se locomover é pobreza, de fato. O cúmulo é correr atrás dos coletivos esmurrando a lateral do mesmo enquanto profere impropérios mil ao motorista.

  • Chorar desabaladamente no velório de um desconhecido é sintoma crucial de pobreza. O cúmulo é agarrar-se em pranto ao caixão, suplicando pra ser enterrado junto.

  • Lamber a tampinha do yogurte é sintoma de pobreza universal. Mas pedir humildemente pra lamber a tampinha do yogurte alheio é o cúmulo.

  • Se chamar Cremilda é sintoma patológico de pobreza. Agora, batizar as filhas de Cremildina, Cremildete e Cremildes de Fátima é o cúmulo.

  • Avistar um conhecido num lugar público e esgoelar seu nome é sintoma de pobreza. Insistir em berrar, mesmo se a pessoa em questão se chamar Cremilda, é pra lá de cúmulo.

  • Coçar os ouvidos utilizando-se de uma tampa de caneta Bic, é sintoma de pobreza digno do Shrek. Mas limpar a mesma tampa na manga da camisa, é cúmulo.

  • Tem um outro sintoma de pobreza, acompanhado de outro cúmulo escandaloso. Mas a imagem se encarrega de contar pra nós. >>

Corági, colega!